(Ins)pira Crônicas

Tempo de Colheita

Quando comecei a observar o tempo da natureza, comecei a compreender e aceitar o tempo do universo.

Nossa cultura imediatista pede que logo após determinado ato/fato, tenhamos o retorno. Isso em relação à recompensa. Porque quando o assunto é pagar pelos erros ninguém quer receber a conta.

– Será que dá pra parcelar?

Quem já plantou um broto de feijão que seja sabe que há o momento de escolher o grao, molhar o algodão e ficar observando. O processo é delicado e a qualquer momento pode-se perder o feto.

Fica claro o tempo para plantio e colheita.

Só que esquecemos dessas simples lições que a infância ensinava (será que ainda ensinam nas escolas?). E queremos pra daqui a pouco a recompensa pela semente que plantamos agora.

Sofremos e queremos trocar o vaso. Tirar a semente do lugar. Encher de água. Tacar adubo. Até desistir e trocar de projeto.

E quando a colheita tava quase pronta, abandonamos o local.

O universo tem um ritmo próprio que se sobrepõe ao ritmo pessoal. Aceite. Dê o seu melhor mas compreenda se ainda não estiver colhendo. Talvez sua safra seja maior que o que você esperava.

Um dia subi uma montanha com amigos e de lá um deles soprou a flauta. Houve um silêncio. Só depois, como se o som tivesse atravessado o vácuo, embalado em outra dimensão e se propagado lá embaixo, finalmente ouvimos o retorno.

Tudo tem seu tempo.

E o universo talvez tenha um tempo melhor para você.

Ligia Tosetto do Prado

milho
Apu Sara Mama Conopa (divinidad Inca del maíz)

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