(Ins)pira Crônicas

Minha maior conquista

Eu me sinto incrivelmente grande para o mundo.

E, também, pequena.

Hoje, em uma entrevista, me perguntaram qual era a minha maior conquista. Eu falei que era a resiliência e a coragem. A resposta não serviu. Ela queria algo palpável. Fiz cara de bunda. E falei qualquer coisa que não me lembro. Mas a pergunta ficou na minha cabeça.

Qual a minha maior conquista dos últimos 4 anos?

Depois do melhor ano da minha vida na Croácia,  voltei para Curitiba e terminei a faculdade, em 2014. Isso já foi uma vitória porque o curso de Direito já não fazia sentido. Ao final, sentia que eu e Curitiba tinhamos encerrado um ciclo.  Terminei um namoro de forma muito sofrida e voltei para o interior de São Paulo. Estudei por 6 meses e passei em um concurso de Analista…que até hoje não chamou.

Meu cachorro morreu. Minha família mergulhou na tristeza. Eu amei alguém. E comecei a me interessar por “coisas de energia”. Ao final de 2015, uma agonia: eu queria conquistar liberdade financeira.

Em 2016, fui morar em São Paulo. Trabalhei como advogada empresarial, numa área em que eu não sabia nada. 6 meses e…reconhecida no trabalho, mas infeliz. Pedi demissão.  Segundo semestre, segundo round. Comecei a trabalhar como professora e a estudar Advocacy. Fiz duas iniciações em Reiki e uma em cura multidimensional. Iniciei uma série de mudanças.  Tudo isso em…6 meses!

Alias, mudei de casa nada menos que 10 vezes desde que voltei da Croácia. 10 vezes! Quem sabe a energia que uma mudança despende, sabe bem o que eu estou falando. Só para constar,  ainda falo com todos @s roomates, mas era como se a vida fosse empurrando para fora antes que eu percebesse.

2017, finalmente! Por ‘n’ motivos, voltei para o interior.

 Comecei a desenhar com giz de cera e tinta.  Venci 10 dias de meditação Vipassana em pleno silêncio. Participei de muitas oficinas, voltei a dançar. Descobri o teatro. Voltei a escrever. Transformei a página onde escrevo em Surrealização, lancei meu livro “Infinitos Possíveis”, expus minhas pinturas, participei de palestras sobre Despertar da Consciência. Cortei minha juba e fiquei quase careca. Tornei-me mestre em Reiki.

Semana que vem, dia 29, eu subo ao palco pela primeira vez depois de 10 anos para dançar sapateado na mesma academia onde comecei.

Recapitulando, eu honestamente não sei QUAL foi a maior conquista. Em verdade, na maior parte do tempo, fiquei pensando no quanto minha vida se tornara confusa. Minha narrativa não é coesa. Com começo, meio e final feliz.

Eu nem sei como sobrevivi a tantas mudanças. E mantive a sanidade.

Tudo que o fiz foi me questionar “eu estou bem aqui?” e quando a resposta era “não”, partir.

Ninguém nunca me ensinou isso. Em todas as vezes, eu me sentia culpada. “Será que eu não devia ter insistido?” Mas a minha única regra para ir embora sempre colocava fim a qualquer oportunidade de dúvida nesse sentido: eu tinha que chegar ao final de cada desafio. Eu nunca desistia enquanto a coisa ainda estava difícil, senão seria boicote.

Eu passei no concurso. Eu finalizei a auditoria no escritório.

Ao final de cada uma dessas tarefas, sentia que meu tempo tinha esgotado. Permanecer era acomodar. E eu sempre quero aprender. Tenho pagado um alto preço por isso. A ansiedade é apenas uma delas.

Mantenho o sorriso no rosto e o coração aberto para as experiências. Atualmente, depois de tantas mudanças e descobertas, peço um cais.

Eu não sei onde isso vai dar. Sim, eu me preocupo todos os dias com o meu futuro. Mas se o futuro for mesmo o resultado de vários hojes, acredito que de alguma forma tudo isso tem levado a mais novos belos hojes. Em cada hoje, penso como essa narrativa poderia moldar algo que eu ainda não vejo.

Sim, eu sinto medo. E sigo.

Com fé de que, ao ser verdadeira comigo, consiga encontrar minha melhor forma de existir. E, quem sabe um dia, colaborar com o mundo.

Eu tenho sido tudo aquilo que tenho sentido.

Talvez a melhor resposta seja:

Minha maior conquista dos últimos anos foi ser honesta comigo.

A todo custo.

Cheguei em mim. Caminho ao Nós.

Ligia Tosetto do Prado

 

 

 

 

 

 

 

 

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