Cantinho do Despertar

Vipassana: uma reflexão sobre o silêncio

Essa semana algumas pessoas vieram me perguntar sobre o Vipassana, retiro de 10 dias de meditação e silêncio. Elas não tinham perguntas, mas queriam saber como funciona.

Eu não sei muito bem o que dizer. Qualquer tentativa de descrever o que acontece é uma limitação a sua vivência pessoal da experiência. Porque eu posso te condicionar ao que eu vivi.

O que eu acredito que possa dizer é que, apesar de falarem muito que é o “retiro do silêncio” e todo mundo fazer a mesma pergunta “mas você ficou 10 dias sem falar?” 😶, o Vipassana é muito mais do que isso. MUITO mais.

O voto de silêncio é UM dos que fazemos quando nos entregamos à experiência. E isso me fez repensar sobre a própria natureza do silêncio.

A princípio, também associei o silêncio a não falar. Mas ao longo do retiro eu percebi que o silêncio vai além. O silêncio se manifesta em nossos gestos.

Quando eu calei as palavras, eu ouvi.

Pela primeira vez eu comecei a perceber como “as coisas” fazem barulho. Uma sacolinha de supermercado em um quarto onde outras pessoas também dormem pode atrapalhar o sono de alguém. Subir na beliche de qualquer jeito, fazendo o maior barulho, também pode atrapalhar outras pessoas. O mesmo vale para entrar em sair da sala de meditação ou mexer nas suas almofadas e esbarrar no colega ao lado.

Os talheres batendo impacientemente sobre os pratos enquanto as pessoas devoram suas comidas ou o ralinho da pia sendo batido repetidamente sobre a borda do lixo para jogar o resto dos alimentos me fazem questionar se a mente de fato silenciou em algum momento.

É bizarro como cada pequeno gesto se torna grande. E estrondoso. Principalmente pelo fato de que você não pode falar para compensar o estrago. “Foi mal, é que…” Isso não existe.

Quando você cala, seus atos falam por você.

Um dia, saindo da meditação, eu perdi o equilibrio ao colocar os pezinhos no chinelo e quase caí pra trás. Minha vontade era rir. A moça atrás de mim segurou a boca, eu segurei a minha e sequer nos olhamos porque ali havia uma grande possibilidade de risos infindáveis. Meu voto quase foi rompido ali.

E rir é gostoso? Claro. Rir é ótimo. Mas ali não cabia. E eu não podia explicar pra ela em que universo eu tava pra perder o equilíbrio daquele jeito idiota. rs

E é aí que o silêncio vai um pouco além de não falar com a boca. Podemos silenciar nossa palavras, mas nosso corpo ainda evidencia que a mente continua inquieta.

Quando percebo que meu corpo talvez fale mais que minhas palavras, quem é que eu devo verdadeiramente silenciar?

 

Ligia Tosetto do Prado

 

fisica-quantica-e-espiritualidade

 

 

 

 

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