Crônicas

Aos que foram, aos que ficaram e aos que já não são

escada

Rubem Alves bem contou sobre a menina de 3 anos que, ao questionar ao pai sobre a saudade que ele sentiria dela quando ele morresse, já sinalizava saber sobre o coração vazio. Pouco sabia, porém, que a visita que não quista, pula pelo portão e entra pela porta dos fundos, pouco conhecendo sobre ordem de idade. Sua fila não respeita hierarquia.

Tampouco pergunta se você tem preparo para preencher o vazio. Porque dela somos cria.

Se é verdade que hoje lembramos aqueles visitados pela portadora da chave para o outro lado, também é verdade que também recordamos o que é estar deste lado.

Somos lembrados, por cada segundo das horas que se seguem, como pode a existência pode ser longa. Temos na resiliência o sentinela que não nos deixa dormir quando existir é tudo que se é capaz de fazer.
Viver…quem sabe um dia. Quando o coração despedaçado se tornar semente que será regada a cada dia com o adubo do amor que se aprende a renascer. Sorrimos amarelo porque entre lagrimas e o silêncio é o melhor que às vezes conseguimos fazer.

Embora quem vá também esteja construindo uma trajetória no plano da alma, nosso apego humano se consola em calma pelo entedimento mental e fragmentário. O universo vai além dos meus olhos.

Perder alguém é sinônimo de coração dilacerado. Vira e mexe se revisita o cenário e se percebe que a superação da dor passa pela inevitável perda de parte da memória. Uma hora você tem que escolher entre olhar para trás ou descobrir quem surgirá do nada.

O alento é a esperança nos que ficaram. É o perceber que o contraste do escuro é a luz e o da morte é, portanto, a vida. Vida que, se dá conta, finita. Ainda que infinitamente vivida.
Vida enquanto tempo em corpo, que se escorre como grão na ampulheta milimetrada da existência. Vida enquanto frasco que se preenche por cada grão de momento. Momento enquanto encontro: o grão de areia do outro que se deposita em nosso frasco. Presente acessível a qualquer bolso. E àquele que passou pelo vale da morte, disponivel ao menor sinal de espaço aos que, como ele, sabem que um dia o frasco se enche e é tempo de preencher o outro lado.

Ligia Tosetto do Prado
www.surrealizacion.com

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