(Ins)pira Crônicas

Infinitos Possíveis

Lidando com situações de desconforto
chão
Eu sempre gostei de enfrentar desafios.

O primeiro deles foi a leitura. Quando eu vi, devorava os livros da coleção Vagalume.

Depois veio o teclado, o tênis, o sapateado, o vestibular.

Insatisfeita, eu passei em um concurso de analista com 6 meses de estudo.

Mergulho em tudo o que as pessoas gostam de usar a frase “ah, mas é difícil”. Pode ter certeza que você vai me encontrar ali na fila para tentar fazer.

O problema de quem gosta de desafios é viver no limite.  Ao final de cada empreitada, eu estava exausta e inquieta. Por que? 

Eu não sabia que eu era assim.
Um dia, de gaiata num Workshop de 5 dias em Dança Contemporânea com bailarinos profissionais do balé da cidade, eu percebi os tipos de situação em que eu me colocava.

Eu sentia o desajuste, a bagunça e a dificuldade. Eu percebia que as pessoas não entendiam o que eu estava fazendo ali. Mas eu sabia.

Eu sabia que eu estava ali para enfrentar os meus demônios. Eu sabia que eu estava lá para vencer tudo em mim que ainda resistia em falar que eu era incapaz de fazer alguma coisa. Eu sabia que eu estava lá para ouvir todas as limitações da minha mente.

E transcendê-las. Uma a uma.
Nesse mundo de imagens, submeter-se ao ridículo é um ato de coragem.
Eu me submeto propositalmente a situações de desconforto porque são elas que me permitem persistir e ver novos pontos de vista. Elas me colocam frente a frente com minha timidez, meus julgamentos e meus limites.
E se o assunto é se jogar em algo novo, que seja com quem sabe o que está fazendo. Nada como a admiração para nos motivar. É por isso, claro, que eu fui parar em uma oficina para profissionais.
É intenso. É insano.  Não há tempo para acomodação. (Quando você aprendeu um passo, eles já estão em outra sequência. rs)
Aprendi a aceitar o alto grau de comprometimento e desconstrução que cada empreitada dessas requer.
Foi lá que eu tive um insight.
 
É importante se impor desafios. Sem eles, não caminhamos.
Mas é essecial reconhecer os nossos méritos. Reconhecer o alto grau de exigência a que nos submetemos. E isso me faltava: olhar para quem eu era e agradecer por quem eu sou, HOJE.
Lembrar qual é o MEU objetivo em cada lugar que eu vou. E não o que os outros estão pensando ou esperando. Em um workshop de dança, todos estão preocupados em serem bons bailarinos. Em um congresso de Direito, todos estão preocupados em mostrar que têm profundidade sobre o tema.

Em todos esses eventos, eu estou preocupada em preencher as lacunas de quem eu sou. Isso significa que eu vou receber as informações e moldá-las conforme a minha necessidade. Eu sou dona da experiência. E me observar é a minha tarefa.

Com essa imagem em mente, eu consigo embarcar em qualquer tipo de novo desconforto. Eu penso: o que eu posso melhorar hoje?
As situações de desconforto me permitem estar mais atenta. Nas situações em que me sinto mais confortável, eu não caio mais no “automático”. Porque eu sei como eu me comporto em cada um desses momentos.
E, quando bate um desânimo pela dificuldade, eu lembro das minhas conquistas. Elas sustentam e impulsionam minhas novas empreitadas pelo seguinte pensamento: eu sou capaz.
É para a frente que se caminha, mas é atrás que estão as pegadas.  São elas que, tortas ou mal acabadas, nos trouxeram até aqui. Foram elas que nos permitiram ver onde era possível melhorar.

Já olhou as suas?
Eu venci os 5 dias.
Acho que foi a primeira vez em que, de fato, senti todas as partes do meu corpo.
Ao final, a sensação foi indescritível.
Não me tornei bailarina.

Me senti extremamente satisfeita comigo.
No último dia, chorei ao ver meus colegas se apresentarem.
E sigo em busca de novos infinitos possíveis.
Essa sou eu.

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