Crônicas

O amor existe

 Em uma tarde onde sol e chuva deram as caras com intervalo de dois minutos, bem ali, no coração da Paulista, um senhor veio falar comigo. Falava sobre o amor. Contava a história das Brumas de Avalon. Falava da personagem que deixara de acreditar no Amor.

Coincidência ou sincronicidade, deixo a cargo do leitor, ha poucos minutos um grupo tirava foto com letras. A soma delas? Amor. Eu era pano de fundo. Tentei sair, mas me pediram pra ficar. Permaneci, como pano de fundo de algo que -a principio- não me dizia respeito.

Eis que esse senhor me abate e dispara um aperto no peito. Como assim, não acreditava no Amor? Disse ele que era mais fácil acreditar assim quando se tem é medo.

Contou uma série de estórias sobre nomes e montanhas, mas ao final me disse: ele existe. Ah, se existe, menina.

Em tempos de tantos desencontros, de se falar em liberdade e se excluir responsabilidade, de se descobrir novas formas de lidar com o outro, nossos egos gritam por proteção. Arranjam qualquer desculpa pra nos dizer que tá legal como tá. Assim, sem qualquer cuidar. Entre o apego que sufoca e o amor que nem se sabe onde foi parar, deve haver algum espaço pra semear espaços de liberdade e respeito. Cabe menos o romantizar e mais o dialogar. Aliás, quando foi que amar virou sinônimo de jogar? Pede-se, sobretudo, honestidade.

É bonito andar de mão dada, mas a pergunta que não cala é: suas almas estão ligadas? Pode haver relacionamento, mas há envolvimento? E o tempo, há amor que tem a presença física de um olhar. Há relacionamento de uma vida sem qualquer olhar.

O amor é encontro elástico de pessoas inteiras.

O Amor de fato existe no ser, para que entao o amor, com letra minúscula mas tão importante, desague no outro. Como um grande Rio que transborda no Mar.

Se hoje encontrasse aquele velho senhor, diria que já não me esquivo de acreditar. Diria, meu caro, desacreditar é mais fácil porque ele é muito difícil de se criar. Pois é preciso, antes disso, ser para viver. E a gente quer é justamente viver para ser.

Perdoe-me, mas achamos que temos tão pouco dentro de nós. Sem saber que somos tanto.

Encontro
Encontro (Coleção Cosmologia, Surreali, Giz de Cera, 2017)

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