Crônicas

O Branco

Na hora sagrada do almoço em família, minha prima encontra um fio branco bem no alto da minha cabeleira morena. Da história alegre que eu contava brotou um repentino:

– Nããão! Minha juventude…se foi!

De início falei que era um loiro e que estava voltando para a criança loira que eu um dia fora. Mas o rápido contraste com uma blusa preta mostrou que era real e era grande: o branco apareceu!

Do outro lado da mesa, observando e rindo do meu bico que já alcançava o prato sobre a mesa, meu avô me diz:

– Ô vovó, esquece isso e come!

Obedeci, com o silêncio de quem fingia que esquecia mas por dentro remoía o tempo, os 26 e o branco. Pensei que ainda sou jovem, mas sim, a juventude se esvai e quando olho para trás vejo como os 19 parecem já tão distantes.

Eu ainda tenho 26. Ainda tenho tempo, coragem, loucura e disposição para fazer tudo aquilo que um dia acharei besteira. O dinheiro não me corrompeu e me recusei a escravizar minha juventude por uma velhice incerta e de riqueza regada a amargura.

É. Acho que está tudo bem. Tenho todo o branco do mundo para colorir.

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