(Ins)pira

Não espere

Eu precisei ficar alguns dias trancada num quarto de hospital para valorizar as folhas verdes que contrastavam com o cinza da cidade de São Paulo.

Eu precisei ficar na cama recebendo apenas soro e remédios na veia para sentir o amargo da tristeza.

Eu precisei passar alguns dias sem conseguir comer nada que não fosse uma maçã e copos de água pra valorizar cada colherada de uma sopa de mandioquinha bem temperada.

Eu precisei não conseguir pentear meu próprio cabelo para aprender a receber cuidados e entender que não preciso ser sempre forte. Ser fraco também é ser forte. Chorar é um grande ato de coragem. Felizes os corajosos que o fazem.

Eu precisei ficar dias sem caminhar pra valorizar os poucos passos que podia dar no corredor do hospital.

Eu precisei estar realmente dependente de cuidados para ver a importância de profissionais da saúde que não tenham perdido sua humanidade. Para ver a rotina dura das enfermeiras que mesmo em turnos longos eram capazes de me dedicar um sorriso e uma piada ao trocar meu soro.

Eu precisei ficar leve como uma pluma para ver que o mundo é feito das pequenas coisas. Pra sentir que o tempo é a coisa mais preciosa que eu posso possuir. Que meu corpo é o maior tesouro a ser cuidado. E sim eu estou muito certa em pensar mil vezes antes de dedicar meu tempo, minha vida e minha história a qualquer coisa, seja ela trabalho, pessoas ou momentos. Porque nos dias em que eu estive lá, num quarto de hospital, olhando o mundo pela janela, tudo o que eu pensava era o quanto eu queria estar perto daquele verde. Respirando um ar que não fosse artificial, vivendo momentos tão singelos e especiais que eu sequer podia compreender o quão normais eu os tinha tornado.

Eu saí do hospital em alguns dias. Minha vida nunca mais foi a mesma. Mas todos os dias eu penso naqueles que tiveram como último olhar o teto daquele quarto, distante de qualquer vislumbre de algo natural. Sem ter direito ao último contato com as trocas reais da vida. Porque quando se está fechado e impotente, tudo o que você deseja é voltar para aquele pequenos momentos que você tornou normais. Ou para aqueles que você não valorizou.

Viva seu tempo. Não espere situações extremas para lembrar o que é realmente viver. Viver não são as suas contas. Viver não são as horas que você passa em claro. Viver não é a imagem que você passa pros outros. Viver é saber que se um dia seu dia chegar, você está em paz com a história que você contou pra você.

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