Intercâmbio

Qual o meu lugar no mundo?

Ei, você, tem dias que a vida parece não fazer sentido, né? Tem dias que levantar da cama, tomar um café e partir para o dia parece um esforço sem qualquer sentido. E tudo o que desejamos é, enfim, voltar para a cama. Para o mundo dos sonhos onde tudo é possível.

Eu sei. A cidade se torna grande demais, o transporte público cheio demais, as pessoas correndo demais. Tudo é demais e ao mesmo tempo nada. Porque (o) nada te preenche.

O corpo dói, a mente voa. Voa em busca de soluções. Criamos alternativas, planos e ao final a conclusão é: “ainda não é isso.” Buscamos em cada troca, em cada pessoa a motivação para uma busca que sequer sabemos qual é. Qual é o meu papel nesse mundo? Por que estou sempre mudando? Por que minha vida não pode ser tão linear e certa? Por que tantos conflitos?

Buscamos resposta e cada vez aparece uma nova pergunta. Quando finalmente a charada é desvendada, temos aquele momento de furor e profunda alegria. No dia seguinte, nada mais é verdade. (Des)construir a vida não é fácil. É difícil acordar um belo dia e ver que suas roupas não te representam, seu círculo de amizades não consegue abarcar todas as ideias desse novo eu que sequer nasceu. É difícil não se reconhecer no espelho.

E é igualmente difícil reconhecer tudo isso e descobrir cada dia quem é essa nova pessoa. O que ela faz pelo mundo, o que ela recebe do mundo. Todos os dias levantar e saber que a busca é certa mas o destino é o próprio barco que continua a navegar.

Mas é profundamente esperançoso ao final de um dia longo sentir que seu compromisso com você foi cumprido. Você se dedicou a tudo que se propôs, ainda que querendo desistir em vários momentos. Ainda que pensando na sua cama, segura e cheia de sonhos. É ainda mais gratificante quando ao final desse dia, no último suspiro, alguém te traz a inspiração de algo que, de novo, pode ser o seu novo eu. E traz a semente do que será a busca do amanhã. Já é um motivo para despertar de um mundo de sonhos para um mundo de ações. E quem sabe um dia, num belo insight, essas pequenas ações se tornam você. E você finalmente olha no espelho e diz: “Oi, eu estava te esperando. Parabéns! Você conseguiu!”

 

 

3 comentários

  1. Muito bons teus textos! Adoro dar uma passada por aqui! Me identifico muito. Acho que pra nós, que saímos mundo afora atrás dos nossos sonhos e de conquistas, nossa viagem nunca acaba, sempre queremos mais, buscamos mais, e consequentemente surgem mais dúvidas, perguntas e respostas, num ciclo sem fim.

  2. Maravilhosa sua reflexão, Lígia! Muitas vezes percebi que buscava a resposta de uma pergunta que não existia; então tentava explicar aquilo que em nada era embasado. Primeiro, pensamos onde queremos chegar; e talvez depois – e tão somente talvez – o caminho que lá nos levará. Não sei se é preciso conhecer tal caminho, mas, sim, se entregar ao deleite da aventura do desconhecido. E, assim, encontraremos o que procurávamos – o que justamente nem sabíamos o que era.

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