(Ins)pira Intercâmbio

Escreva…para si mesmo!

Já se imaginou escrevendo uma carta para si mesmo, no futuro? Um grande chute na bunda para aqueles momentos em que você está ali, sentadinho em cima do muro, sem saber se pula de vez ou se continua por ali, vendo as nuvens passarem? 

Algumas vezes estamos em situações tão confortáveis, que tomar uma decisão e sair do lugar parece levar em conta muitos dividendos. Tantas possibilidades em uma escolha só: “se eu fizer isso, acontece isso…se eu fizer aquilo..acontece aquilo…mas…isso pode acontecer…”. Os pensamentos se encadeiam, a ansiedade vai tomando cada parte do nosso corpo e, no fim, parece que temos uma bola na garganta, pronta a explodir.

Acreditar que podemos guiar nossas vidas para onde desejarmos e que as possibilidades são tão amplas quanto o universo tampouco ajudam as almas ansiosas. Porque se perguntar, verdadeiramente, o que você quer, não é das tarefas mais fáceis.

Sou de uma geração e de uma classe que tem tudo em mãos para o tal futuro brilhante e, ao sair da faculdade, nada tem. As tão belas oportunidades não estão assim tão fáceis e as melhores oportunidades exigem um esforço possível que, porém, exigem aquela vontade devoradora ou a necessidade para empreender tanta abdicação.

Como decidir?

Pode parecer estranho, mas o texto do Ano Perdido sempre me vem como uma carta para mim mesma, quando eu esqueço a pessoa sem medos que um dia eu fui.

Hoje, no mundo das job-oportunidades que, longe de preencher nossos corações, apenas e mal enchem nossos bolsos, me traz a mensagem de que, sim, a decisão é apenas minha. E buscar é sempre uma opção. Mas quais fatores levar em conta, num mundo que parece dizer que querer ser feliz no que faz é muita pretensão? 

Em meio a tudo isso, uma palestra  no Ted Talks (How to make hard choices) e um post no Facebook da página Cosmic Intelligence Agency, dizendo “Never forget to create the magic”, com uma animação dos átomos se movendo no espaço, me trouxe um insight: se você não sabe o que te espera ou para onde ir, crie o que você gostaria que acontecesse. Lutar por um sonho é sempre melhor que imaginar se ele daria certo. Talvez ter que se convencer, todos os dias, de que realmente se quer algo é um leve sinal de que se está velejando para o lado errado.

Em meio a tantas possibilidades, faça um favor a si mesmo: todos os momentos em que estiver estupidamente feliz, escreva…para si mesmo! Todas as vezes que tomar uma decisão que te deixou feliz, escreva para si mesmo. Pode ser uma carta, um post no Facebook, uma nota numa folha de papel.  Lembre-se de detalhes: o que fez aquele momento realmente importante? Quais foram os pontos ruins que, ainda que presentes, não diminuíram a importância naquele momento? E leia todas as vezes que precisar, de novo, tomar uma decisão. Lembre-se de quem você é e o que te move.

Sua mente vai te enganar todas as vezes que tentar pular no desconhecido. Porque ela quer segurança. Ela quer o piso conhecido da mesmisse. Mas se você se lembrar do momento mais puro de felicidade, dos dias leves ou, ainda, se não os conhece, se você os criar e acreditar, com todas as forças, que são possíveis…a felicidade sempre estará a um passo do muro.

É assim que eu me sinto, hoje, depois de 3 anos do Ano Perdido: ele sempre, de alguma forma, me traz de volta a coragem e o amor pela vida. Espero que você se dê esse presente, também!

Com amor, Ligia! ❤

20131017_144159
Dias de paz em Zagreb. Na mais pura leveza do ser.

 

um comentário

  1. Ligia, fantástico seu texto! Entre linhas e entrelinhas, encontrei a minha pessoa; me reencontrei em textos que um dia escrevi. Há um tempo atrás, sentei para escrever um texto. Me lembrei de um que havia escrito anos antes e comecei a lê-lo. Para minha surpresa, descobri que não-intencionalmente eu estava dialogando comigo em uma janela de dois anos. Achei interessante e curioso o seu ponto de vista, e acredito que você está certíssima. Ler nós mesmos é uma forma de não só guardar as nossas mais profundas recordações para um tempo futuro, como uma maneira ímpar de nos mostrar quem um dia fomos. Nós mudamos constantemente e assim mudará a nossa interpretação do texto da vida. E se assim pensar, aquele que o escreveu já não mais é o que leu…

Deixe sua marca por aqui! Adoraria ouvir o que você tem a dizer!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s