(Ins)pira Intercâmbio

Sobre permanecer: o tal do fôlego!

Quando voltamos de um intercâmbio, é normal ficar contando os dias para a próxima hora de ir. Nos desprendemos tanto das amarras que ir se torna mais fácil que ficar. Enquanto quem nunca partiu encontra um milhão de desculpas para não ir, quem já foi encontra o mesmo número de motivos para não ficar. Hoje, eu posso dizer que vivo entre os dois mundos. Como se houvesse uma linha divisória traçada ao chão e, com um pé eu estivesse voando e, com o outro, aterrissando.

Aprender a partir é bom. Te ensina que é sempre possível buscar novas formas de viver. Permite que se aprenda a deixar para trás o que não te faz feliz. Abre espaço para você saber quem é você fora do contexto ao qual estava acostumado. Vai te tirar do “modo automático de vida”: bem vindo ao mundo onde não há resposta pré-programada para os acontecimentos. Você se reprograma e, para isso, é preciso olhar bem dentro de si mesmo.

Recentemente eu parti, novamente. Após longos anos morando em Curitiba, resolvi me recolher ao interior. Desde então, tenho mergulhado na difícil arte de permanecer. De reconstruir laços. De dedicar, todos os dias, às mesmas pessoas. De pensar, pensar e…pensar sobre os últimos anos. Impor metas, cumprir e acreditar em objetivos que não se concretizam a curto prazo. De incorporar ao hoje tudo que o ontem proporcionou. Confesso, algumas vezes sofro e penso em jogar o pé que está no lado do chão de volta para o alto. Não demora e a lembrança de tudo o que o partir ensinou vem a  tona trazendo a melhor das confianças: o que se achava impossível (partir) já foi feito uma vez. Por que não o seria outra e outra e outra…mas, agora, com o permanecer?

Não há nada errado em voar quantas e tantas vezes quiser. Não há erro em ficar. Há apenas o que nossa alma pede. E, para ouvi-lá, é necessário silêncio. Sou movida a desafios. Hoje, meu desafio é permanecer. Permanecer apesar de tudo. Permanecer por causa de tudo. Acho que é o outro pé (aquele que voa) quem está apoiando o outro e,  até segunda ordem, buscando o equilíbrio com o tal que quer ficar. O nome disso é fôlego. Dizem que, depois de longos vôos, é necessário tomar fôlego para o próximo. Fazer um balanço da viagem. Recalcular a rota. Acho que esse é meu tempo! Me entrego à desaceleração, a assimilar e incorporar ao mundo real tudo o que o partir (ir)real me proporcionou…até que partir se torne mais difícil que permanecer. Até que a alma grite por um vôo tão alto quanto o próprio céu. Aí, sim,  será tempo de ir…rumo à nova (des)construção!

User comments
Zagreb, Croácia. 2013.

3 comentários

  1. Vc escreve muito bem. Adorei o texto e me vi nele! Retornei faz 6 meses e desde então o permanecer tem sido difícil de lidar. “bem vindo ao mundo onde não há resposta pré-programada para os acontecimentos” – Ah, que saudade desse mundo! 😀

    1. Pois é…aos poucos, vai melhorando! Mas a sensação de que, a qualquer momento, será hora de partir, está sempre presente! Acredito que seja um bom motor para a vida, se conseguirmos usar a nosso favor! 🙂 Te desejo um belo caminho pela frente! Abraço!

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