(Ins)pira Intercâmbio

Intercâmbio…e depois?

Fiz um intercâmbio irado, vi como o mundo é cheio de lugares sensacionais e conheci pessoas capazes de fazer o bem pelo bem. Me encontrei, passei a acreditar em coisas que só existiam emum mundo ideal. Mas, um belo dia chega o fatídico dia…a volta! O que fazer com toda essa bagagem que – aparentemente – não cabe no vida “normal”?

Bom, voltar talvez seja mais difícil que ir. Eu várias vezes disse que voltei, mas às vezes fico questionando a verdade dessa afirmação. A verdade é que você vai chegar e nada vai fazer sentido. Ir para a faculdade ouvir seu professor falar sobre a fenômeno da incidência tributária vai te fazer voltar ao pico massa que você escalou. E no fato de que, talvez, até dormir no aeroporto fosse mais divertido que estar ali, sentado naquela cadeira. A preocupação dos teus amigos com o horário de chegada no emprego e a roupa para o baile de formatura vai parecer fútil se comparada com o fato de que a vida é tão feita de momentos que não se pode estar preparado para qualquer um deles: seja com uma roupa, seja espiritualmente.  Você vai querer falar com qualquer pessoa que esteja viajando só para sentir – de novo – aquele frio na barriga de quando você se joga no desconhecido. Vai ser difícil estabelecer uma conversa de qualquer teor com as pessoas que ficaram, embora elas queiram tanto te ver, te abraçar e falar com você. Se você tiver amigos próximos que também viajaram, vocês vão criar um universo tão próprio que somente aqueles que realmente conseguirem abstrair as palavras “viagem” e “quando eu estava em tal lugar” ou qualquer derivação delas conseguirão ficar por perto.

A notícia boa é que, como toda fase, isso passa. Basta ter em mente que, em breve, por mais que você se recuse, aos poucos sua preocupação também voltará a ser – levemente- parecida com a daqueles que ficaram. Então a dica é calçar a sandalinha da humildade e saber que, não, você não é mais especial porque viajou. Você não sabe mais da vida que aqueles que seguiram a rotina. Porque você terá que se submeter a ela, mesmo que contra a sua vontade. A faculdade está lá para ser terminada; o emprego precisa ser procurado para gerar dinheiro para a próxima viagem.

O bom de tudo isso é que, sabendo da dimensão do mundo e da importância das pequenas coisas, você não sofre – tanto. Ou sofre. A escolha é bem nossa e o quanto antes você aceitar a nova vida, mais fácil será o processo. Tendo aprendido que as coisas dolorosas se tornam menos dolorosas na medida de nossa aceitação, jogue-se de cabeça naquilo que você tem, mas não quer fazer. Coloque em prática tudo aquilo que você aprendeu viajando. É na vida “normal” que as teorias se fazem reais. Que a alegria de viver o hoje se consolida. Comece a monografia, você vai se apaixonar por ela mais do que pensa. O cursinho para a OAB vai ficar mais interessante se você se permitir conhecer algo novo. Encontre o tal do estágio; ele vai te consumir umas horas mas vai ajudar a valorizar o tempo. E, também, vai permitir algumas escapadas de final de semana para algum lugar paradisíaco. Colocar a mochila nas costas, mesmo que por alguns minutos, vai te trazer todo o espírito de aventura. Mas volte. E volte focado. Aceite os finais para provocar novos começos. E eles vêm.

Ir pra faculdade aos poucos vai se tornando ok. Afinal, você percebe que algumas coisas realmente serão importantes no futuro. A tal da monografia vai te gerar uma preocupação, tirar umas noites de sono, mas você saberá que não há mal que sempre dure. Afinal, você já sobreviveu a noites em aeroportos e dias sem banho. Você sentirá a satisfação de cumprir essa tarefa árdua de terminar a faculdade. E o orgulho de ter um diploma no momento que lhe foi certo: depois de viver o mundo e ainda ter tanto dele a aprender. Você vai ver na sua profissão a possibilidade de continuar aquele mundo que você viu nas viagens e, até então, não sabia como colaborar. Você continuará, enfim, sofrendo por coisas desnecessárias, tendo acessos de riso em momentos inimagináveis, conhecendo gente e valorizando cada dia.

Você verá, enfim, que o intercâmbio é, mesmo, cada dia da sua vida.

Foto da minha colação de grau. No momento certo. Um ano depois do intercâmbio.
Foto da minha colação de grau. No momento certo. Um ano depois do intercâmbio.

2 comentários

  1. Bahhh guria! Altos texto heim!? Eu não te acompanhei por todo o intercâmbio mais o texto “o ano perdido” para mim é fodástico de maisss e esse aqui então nem se fale! Tô indo em breve fazer a minha trip e hoje eu vejo que os anos ‘perdidos’ são aqueles que deixamos de fazer o que tanto queremos! Obrigada por colocar na ponta do lápis ou do teclado tantos sentimentos novos!

    ADOREI ❤
    E viva la vida! /\o/

  2. Ligiaa, Parabéns pelo texto! Como me sinto representada por tudo isso.. Rs Sensacional. Sabe, eu acredito que a vida é mesmo um pedacinho de todos esses momentos. E viajar, sem dúvida é uma das experiências mais maravilhosas do mundo. Sucesso nos seus projetos, sucesso na vida! Que venham muitas viagens e descobertas aqui e por esse mundo a fora. Um forte abraço

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