Intercâmbio

Sorte ou distração do azar: Cvjetno studentski dom!

Cheguei em Cvjetno (moradia estudantil) num final de tarde, com muita neve, uma mala gigante e muita, mas muita apreensão. Conheceria, finalmente, minha roomate, com quem dividiria um quarto ao longo de toda minha estadia, aqui, em Zagreb.

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Dividir quarto já não é uma coisa fácil, principalmente quando: (i) você está acostumada a ter o seu próprio quarto, (ii) do seu próprio jeito (iii) e, para piorar, gosta de ter os seus momentos solidão. Perguntem para a minha irmã, mas meu quarto é como um templo: só rezando pra entrar – de tanta roupa que tem no chão ou de tão introspectiva que eu estou.  Logo, dá para entender o porquê de tanta apreensão: eu, toda cheia das manias e dos tem-que-ser-do-meu-jeito, teria que dividir quarto com uma pessoa desconhecida, de outro País, com outros costumes e, ainda por cima, eu cheguei depois, ou seja, abaixar meu nariz arrebitado seria a única opção.

Mas, como eu dizia, cheguei em Cvjetno e fui até a administração para pegar as chaves. Fica bem nessa parte comprida entre os prédios. Como se pode ver, descrição não é bem o meu forte.

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Logo de cara, um acontecimento nada inusitado: as mulheres responsáveis não conseguiam acham a chave do meu quarto! Mais adiante, eu descobriria que isso não é resultado da minha falta de sorte, mas sim parte da burocracia e da desorganização croata. Enquanto elas falavam palavras que eu não conseguia entender, andavam para lá, andavam para cá, eu fazia a única coisa que elas poderiam entender: sorria e ria, dizendo “Don’t worry!”.

 Após alguns minutos, a chave foi encontrada: quarto 306, prédio 1! Era ali que eu moraria pelo próximo ano!

Para vocês terem uma ideia do tamanho do “complexo estudandil”, Cvjetno é composto por 8 prédios, 1 restaurante universitário, 1 cafeteria, 1 academia e um posto de correio. O meu prédio (número 1), fica logo na primeira entrada, em frente ao prédio número 8 (lógica croata, eu falei). Até agora, dos quartos e prédios que vi, o prédio onde moro (esse da foto adiante) parece ser o melhor. O porquê? Explico adiante.

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Logo ao entrar, já abri um largo sorriso: máquina que faz café, cappuccino e tudomais que você puder imaginar. E, ao lado, outra máquina, com umas tranqueiraspara comer, como chocolate, chocolate e…chocolate! Tudo por 5 kuna (divida por 3)! Nem preciso dizer que estou viciada na máquina de café!

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Boa! Fiquei bem feliz! O problema apareceu em seguida: sem elevador! Como era de se imaginar pelo número do quarto, eu moro no 3º andar. Não bastasse isso, ao subir as escadas, você percebe que, após o primeiro lance, você AINDA está no térreo! Então, um exercício leve antes de chegar ao quarto é inevitável! Ainda mais quando, pra piorar, você tem uma mala de 30kg para carregar com você!  Felizmente, uma menina, bem querida, chamada Helena me ajudou a subir com a mala. Quase morremos.

Agradeci e rumei à sorte (tá sentindo o drama?).

Mesmo tendo chave, resolvi bater à porta. Imaginei que a menina ficaria assustada em,  não mais que de repente, alguém abrir a porta do seu quarto e ir entrando.

Knock, knock.

Valentina (como se apresentou depois), croata, ruiva, de olhos verdes e um rosto assustado abriu a porta. Eu, com cara de pastel, a chave do quarto balançando na altura do rosto:

– Hi! I’m your new roomate!

Ainda confusa, ela me convidou a entrar. Antes de entrar, cumprimentei-a com um beijo no rosto, como fazemos no Brasil (errado, errado, errado!!!) e fui entrando. Conversamos por um longo tempo, tudo ainda naquele ar de confusão, principalmente dela que não esperava me receber tão cedo. Após certo tempo, comecei a desfazer parte da mala e a contar algumas coisas sobre mim, ao que ela fez o mesmo. Posso dizer que, logo de cara, nos identificamos e eu pude respirar aliviada.

Os dias seguintes só serviram e estão servindo para reafirmar: sou sortuda! A Valentina não só é uma pessoa que comecei a me identificar e a admirar, como é uma pessoa totalmente fácil de conviver. E, com isso, eu também passei a ser (Laura, daqui um ano você me diz se isso é verdade).

O engraçado é que, após alguns dias de convivência, a Valentina, finalmente, me disse que achou totalmente estranho o fato de eu ter a cumprimentado com um beijo no rosto. Que, para ela, isso era muito estranho! Que ela não cumprimentava nem os amigos dela assim! oO Alguns dias mais tarde, descobri que croatas se cumprimentam de uma forma que o Felipe, o outro brasileiro que está aqui, bem denominou “cumprimento de robô”: eles apertam as mãos, bem distantes e sem qualquer tipo de emoção. Bem diferente de nós e, especialmente de mim.

De todo modo, o que faz a sorte ter me achado ou, finalmente, o azar ter me esquecido por algum tempo, além do quarto bom e da roomate querida é que, não bastando estar tudo bem, quando comparo com a condição dos amigos que fiz, percebo que a minha situação é ainda melhor. Eles, que também estão vivendo com croatas, narraram que não tiveram tanta sorte com seus roomates. Alguns, trocaram de quarto e, ainda assim, não estão contentes – nem com os roomates, nem com os quartos.

Em relação aos roomates: a maioria dos meus amigos falou que os deles não conversam e nem tentam conviver. Os meninos não se importam, mas, para as meninas que conheci, uma hospitalidade maior das roomates fez falta.

Em relação ao quarto: o meu, apesar de pequeno, é uma graça. Cada uma pode, tranquilamente, ter seu espaço. Explico: cada uma tem sua escrivaninha, com um gaveteiro, ao lado da própria cama. Também temos, de cada lado, prateleiras para os livros e armário para algumas coisinhas. Assim, o lado esquerdo do quarto é meu e, o direito, dela. Tudo com aquela-madeira-clara-que-não-sei-o-nome, que torna o quarto bem aconchegante. E- o melhor- temos o nosso próprio banheiro! Essa é a minha parte (de longe, pra não ver – tanto-Imagem a bagunça! hoho):

Ao visitar os quartos de meus amigos por aqui, percebi que eu tinha mais sorte do que, inicialmente, imaginara. Enquanto no nosso quarto é tudo novo e o aquecimento funciona, no dos meus amigos algumas coisas trágicas acontecem. Alguns estão em prédios tão velhos que não há como dispor o quarto dessa maneira cada-um-no-seu-quadrado. E os móveis são velhos e escuros. Outros, o aquecimento não existe no quarto, o banheiro é dividido com o quarto ao lado, e os quartos são bem menores.

As coisas são críticas ao ponto que meu amigo, Dominykas, após saber que Liva, uma outra intercambista, também estava hospedada em Cvjetno, perguntou a ela:

“So, how is it going? Are you hating?”

Ri por alguns bons minutos e, até agora, ainda dou risada ao lembrar. Principalmente ao lembrar que, por sorte, tenho quarto bom e uma roomate legal!

Então, hoje, meu post é não para contar o que de errado acontece, mas, o que, por sorte ou distração do azar, vai indo muito bem! Deixo vocês com a vista da minha janela-geladeira (e de todos aqueles que vivem em Cvjetno -onde cozinha e refrigerador não existem), disponível apenas no inverno!

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